Tava na hora, né?
Se alguém ainda lê isso aqui, entre em: http://hiperbolepatologica.blogspot.com
E comente :D
Beijos!
Monday, 11 May 2009
Sunday, 1 March 2009
desabafos de um começo assustador.
era meia-noite do último dia 31 de dezembro quando eu prometi pra mim mesma que 2009 iria mudar muitas coisas. a lista de resoluções já não era a mesma. talvez mais realista, talvez mais ambiciosa, mas, de uma forma ou de outra, concreta. me recusei a fazer planos que não tivesse a real intenção de cumprir já que isso eu fiz durante longos anos e só me trouxe frustração.
e amanhã começam as aulas. voltar à faculdade. isso me parece um passo tão longo que chego a ter a sensação que minhas pernas encolheram. o total isolamento do ano passado, a fobia social, o pânico de julgamento que se instalou nos meus dias... tudo fez com que eu chegasse a esse ponto com medo de voltar ao normal. voltar à rotina, à vida. conviver com pessoas DIARIAMENTE já me parece um monstro de 207 cabeças. medo, sempre medo. lembro que uma vez eu li "você não pode adiar a vida até estar pronto" e isso mudou tudo. talvez seja por aí. ninguém está realmente pronto. nunca. mas as pessoas simplesmente não param. elas continuam, elas seguem em frente, elas vão perdendo coisas pelo caminho, mas elas não param pra sofrer a perda. já dizia a frase que eu guardo no meu quadro de avisos: "a vida é como andar de bicicleta, você só perde o equilibrio se parar de pedalar".
eu provavelmente perdi o equilibrio e caí. passei algum tempo no chão com um terrível pânico de voltar a andar. mas a vida é isso, não é? é continuar pedalando no matter what. com o joelho ralado, com a roupa rasgada, com as pernas cansadas... mas não parar porque, se parar, cai. enfim eu volto pra bicicleta. medo, medo, medo. medo de cair, medo de não ter força, medo de ter esquecido de como se pedala. mas foda-se, vou respirar fundo e continuar porque esse ano eu fiz uma promessa que eu não pretendo quebrar. vou dar um jeito na minha vida. ainda que eu escolha a faculdade errada, ainda que me doa às vezes, ainda que as coisas não cheguem à perfeição que eu almeijo... vou levantar e pedalar. se eu for pra direção errada, eu volto, começo de novo, ando por alguns caminhos pra chegar ao caminho mais certo depois. mas não vou parar de pedalar! não esse ano. esse ano eu DISSE que ia ser diferente. eu disse que não ia ser como todos os outros em que eu falo, falo, falo e não faço nada. então tá, o primeiro passo eu já dei: as aulas começam amanhã. agora só me resta tirar força nem que seja do útero pra continuar o movimento. na realidade, força eu sei que eu tenho. só me resta a disponibilidade pra suar.
e amanhã começam as aulas. voltar à faculdade. isso me parece um passo tão longo que chego a ter a sensação que minhas pernas encolheram. o total isolamento do ano passado, a fobia social, o pânico de julgamento que se instalou nos meus dias... tudo fez com que eu chegasse a esse ponto com medo de voltar ao normal. voltar à rotina, à vida. conviver com pessoas DIARIAMENTE já me parece um monstro de 207 cabeças. medo, sempre medo. lembro que uma vez eu li "você não pode adiar a vida até estar pronto" e isso mudou tudo. talvez seja por aí. ninguém está realmente pronto. nunca. mas as pessoas simplesmente não param. elas continuam, elas seguem em frente, elas vão perdendo coisas pelo caminho, mas elas não param pra sofrer a perda. já dizia a frase que eu guardo no meu quadro de avisos: "a vida é como andar de bicicleta, você só perde o equilibrio se parar de pedalar".
eu provavelmente perdi o equilibrio e caí. passei algum tempo no chão com um terrível pânico de voltar a andar. mas a vida é isso, não é? é continuar pedalando no matter what. com o joelho ralado, com a roupa rasgada, com as pernas cansadas... mas não parar porque, se parar, cai. enfim eu volto pra bicicleta. medo, medo, medo. medo de cair, medo de não ter força, medo de ter esquecido de como se pedala. mas foda-se, vou respirar fundo e continuar porque esse ano eu fiz uma promessa que eu não pretendo quebrar. vou dar um jeito na minha vida. ainda que eu escolha a faculdade errada, ainda que me doa às vezes, ainda que as coisas não cheguem à perfeição que eu almeijo... vou levantar e pedalar. se eu for pra direção errada, eu volto, começo de novo, ando por alguns caminhos pra chegar ao caminho mais certo depois. mas não vou parar de pedalar! não esse ano. esse ano eu DISSE que ia ser diferente. eu disse que não ia ser como todos os outros em que eu falo, falo, falo e não faço nada. então tá, o primeiro passo eu já dei: as aulas começam amanhã. agora só me resta tirar força nem que seja do útero pra continuar o movimento. na realidade, força eu sei que eu tenho. só me resta a disponibilidade pra suar.
Sunday, 8 February 2009
sobre quem não sabe jogar
"o sentimento do amor não-correspondido é diferente, íntimo, impiedoso. é como jogar uma bola para o céu e ela, desafiando a gravidade, desaparecer. e é impossível não ficar ali esperando ela voltar."
li isso hoje e fiquei pensando.
acho que a bola que eu joguei voltou de forma tão errada, torta e diretamente na minha cabeça que me fez desmaiar por meses. tem gente que não sabe jogar, talvez. não sabe medir a força, joga meio fraco, joga forte demais, joga pro outro lado ou demora demais pra decidir se joga ou não. mas depender de outro jogador é sempre assim. meio estressante, meio frustrante, meio inesperado.
o lado bom é que o desmaio acabou.
o lado ruim é que eu perdi minha bola. :)
li isso hoje e fiquei pensando.
acho que a bola que eu joguei voltou de forma tão errada, torta e diretamente na minha cabeça que me fez desmaiar por meses. tem gente que não sabe jogar, talvez. não sabe medir a força, joga meio fraco, joga forte demais, joga pro outro lado ou demora demais pra decidir se joga ou não. mas depender de outro jogador é sempre assim. meio estressante, meio frustrante, meio inesperado.
o lado bom é que o desmaio acabou.
o lado ruim é que eu perdi minha bola. :)
Friday, 9 January 2009
control freak.
ontem fiquei vendo um programa sobre a vida da victoria beckham. aos desinformados: ex-integrante das spice girls, mulher de david beckham, ícone da moda, rata de desfiles e anoréxica não-assumida. para quem quiser lembrar, ela é a skinny bitch dessa foto aqui. enfim, o fato é: a mulher é um fósforo. e, pra ser sincera, eu nunca fui com a cara dela. sempre achei algo estranho ali. ela era sempre tão séria, sempre olhando pra todos os lados nos eventos de tapete vermelho e derivados. estranho, realmente estranho. então lá fui eu saber a origem do drama.
a história começa nos 18 anos dela. infinitamente menos magra mas igualmente insegura. tímida, neurótica, sempre com medo que a sua pele ruim ou seus dentes separados ou seu teórico excesso de peso (inexistente) aparecesse em fotos e vídeos. sempre querendo parecer perfeita. logo depois as spice girl começam e, rapidamente, atingem o auge. e, com a mesma rapidez, acabam. o casamento com david beckham e, posteriormente, a presença em diversos desfiles garantem a ela uma fama ainda maior. mas o que a mantem nos tablóides e na boca das pessoas não é uma coisa nem outra. é o peso. o peso e todas as fotos em que cada osso dela aparece com uma clareza perfeita, uma nitidez assustadora. e pior: a mesma obsessão por parecer perfeita. quando você pára pra observar cada entrevista ou aparição da victoria beckham você percebe que os olhos dela vão passando por todos os fotógrafos com um medo nítido. cada movimento dela é meticulosamente arquitetado pra que nenhuma boca torta estrague sua foto. a mesma neurose, a mesma insegurança. obcecada pela perfeição.
então o programa acaba e eu me pergunto: o que exatamente me separa de victoria beckham? que o meu peso está longe do ideal não é novidade pra ninguém. mas talvez a minha loucura fique por baixo dos panos. talvez muita gente não saiba que eu não permito que ninguém tire fotos minhas ou que eu já fui escondida pegar câmeras que continham fotos em que eu não estava bem pra poder apagar. as minhas fotos são meticulosamente tiradas e, de 100, eu gosto de 1. pra que aí então entre o photoshop e, só assim, ela possa ser devidamente utilizada. é provável que, se eu fosse famosa, eu enlouquecesse exatamente como ela. ficaria neurótica com os mil flashes, choraria por dias seguidos e me trancaria em casa cada vez que uma foto ruim minha fosse divulgada. sim, eu admito, eu sou obcecada pela perfeição.
mas então o que me separa, afinal? porque, veja bem, victoria é obcecada pela perfeição, pela magreza, pela beleza. e ela faz por onde. ela fica sem comer, ela faz o que for preciso. anorexia é isso, afinal, não é? é não medir esforços pra atingir a perfeição sem perceber que ela não existe e, antes dela, vem a morte. mas, que coincidência, eu também quero a perfeição! eu também não sei assimilar que ela não existe. então porque diabos eu fico parada e não faço nada? porque eu e victoria beckham pensamos IGUAL e agimos diferente? porque ela pára de comer e fica parecendo um graveto enquanto eu continuo comendo e fico igual a um hipopótamo? AONDE mora a diferença? sinceramente, eu não sei explicar. e parece piada mas não é. talvez os dois extremos sejam igualmente patéticos. mas uma coisa é certa: o extremo dela faz mais sentido. é, no mínimo, uma demonstração do que ela quer. ainda que exagerada e sem limites. mas e eu? dizer que quero uma coisa e fazer outra, o que é isso, afinal? eu realmente não me entendo.
me pergunto se um dia eu vou realmente estar satisfeita em frente ao espelho. se um dia eu for magra talvez seja um passo pra própria anorexia em si. a perfeição que eu busco é incansável, é doentia. só quem convive comigo e assiste de camarote pode perceber. talvez a sorte seja o fato deu ser pobre e desconhecida. porque uma coisa é certa: se eu fosse famosa já tinha enlouquecido com a exposição e a falta de controle diante dela. e se eu fosse rica já teria feito tantas plásticas pelo corpo todo que teria virado um manequim. imóvel e artificial.

i don't care if it hurts, i wanna have control.
i want a perfect body, i want a perfect soul.
(creep - radiohead)
a história começa nos 18 anos dela. infinitamente menos magra mas igualmente insegura. tímida, neurótica, sempre com medo que a sua pele ruim ou seus dentes separados ou seu teórico excesso de peso (inexistente) aparecesse em fotos e vídeos. sempre querendo parecer perfeita. logo depois as spice girl começam e, rapidamente, atingem o auge. e, com a mesma rapidez, acabam. o casamento com david beckham e, posteriormente, a presença em diversos desfiles garantem a ela uma fama ainda maior. mas o que a mantem nos tablóides e na boca das pessoas não é uma coisa nem outra. é o peso. o peso e todas as fotos em que cada osso dela aparece com uma clareza perfeita, uma nitidez assustadora. e pior: a mesma obsessão por parecer perfeita. quando você pára pra observar cada entrevista ou aparição da victoria beckham você percebe que os olhos dela vão passando por todos os fotógrafos com um medo nítido. cada movimento dela é meticulosamente arquitetado pra que nenhuma boca torta estrague sua foto. a mesma neurose, a mesma insegurança. obcecada pela perfeição.
então o programa acaba e eu me pergunto: o que exatamente me separa de victoria beckham? que o meu peso está longe do ideal não é novidade pra ninguém. mas talvez a minha loucura fique por baixo dos panos. talvez muita gente não saiba que eu não permito que ninguém tire fotos minhas ou que eu já fui escondida pegar câmeras que continham fotos em que eu não estava bem pra poder apagar. as minhas fotos são meticulosamente tiradas e, de 100, eu gosto de 1. pra que aí então entre o photoshop e, só assim, ela possa ser devidamente utilizada. é provável que, se eu fosse famosa, eu enlouquecesse exatamente como ela. ficaria neurótica com os mil flashes, choraria por dias seguidos e me trancaria em casa cada vez que uma foto ruim minha fosse divulgada. sim, eu admito, eu sou obcecada pela perfeição.
mas então o que me separa, afinal? porque, veja bem, victoria é obcecada pela perfeição, pela magreza, pela beleza. e ela faz por onde. ela fica sem comer, ela faz o que for preciso. anorexia é isso, afinal, não é? é não medir esforços pra atingir a perfeição sem perceber que ela não existe e, antes dela, vem a morte. mas, que coincidência, eu também quero a perfeição! eu também não sei assimilar que ela não existe. então porque diabos eu fico parada e não faço nada? porque eu e victoria beckham pensamos IGUAL e agimos diferente? porque ela pára de comer e fica parecendo um graveto enquanto eu continuo comendo e fico igual a um hipopótamo? AONDE mora a diferença? sinceramente, eu não sei explicar. e parece piada mas não é. talvez os dois extremos sejam igualmente patéticos. mas uma coisa é certa: o extremo dela faz mais sentido. é, no mínimo, uma demonstração do que ela quer. ainda que exagerada e sem limites. mas e eu? dizer que quero uma coisa e fazer outra, o que é isso, afinal? eu realmente não me entendo.
me pergunto se um dia eu vou realmente estar satisfeita em frente ao espelho. se um dia eu for magra talvez seja um passo pra própria anorexia em si. a perfeição que eu busco é incansável, é doentia. só quem convive comigo e assiste de camarote pode perceber. talvez a sorte seja o fato deu ser pobre e desconhecida. porque uma coisa é certa: se eu fosse famosa já tinha enlouquecido com a exposição e a falta de controle diante dela. e se eu fosse rica já teria feito tantas plásticas pelo corpo todo que teria virado um manequim. imóvel e artificial.

i don't care if it hurts, i wanna have control.
i want a perfect body, i want a perfect soul.
(creep - radiohead)
Monday, 29 December 2008
desabafo-natalino.
estava eu ouvindo meu anual hino de natal "all i want for christmas" quando lembrei do filme através do qual eu conheci a música: "simplesmente amor". é um filme bobo, simples, doce e despretensioso mas incrivelmente apaixonante (pelo menos pra mim). de alguma forma, ele consegue ser inocentemente encantador - e isso sem sequer considerar as presenças de peso do meu querido alan rickman e minha maravilhosa emma thompson. aliás, o elenco é uma das coisas que eu mais amo. colin firth, hugh grant e outras preciosidades da minha lista de paixões. as I said, nada grandioso nem genial. é simplesmente doce. simplesmente amor. :)
e, pensando no filme, eu lembrei de uma das cenas que eu mais amo. "just because it's christmas and at christmas you tell the truth". no natal a gente fala a verdade? eu sempre acreditei nisso. recebi (e fiz) revelações no dia 24/25 e nunca me arrependi. como eu já disse em outro post, a magia do natal engloba todo e qualquer tipo de coisa, torna as coisas mais... suaves. eu não sei mas tudo parece mais doce no natal. e hoje, em pleno dia 29, eu percebi que esse ano eu não fiz isso. esse ano eu traí meu ideal natalino.
sendo assim... eu deixo minha verdade: se um dia você passar por aqui - e eu sei que se você passar você VAI saber que eu me referi a você e ninguém mais - eu deixo a minha excepcional sinceridade. sim, eu mantenho ressentimentos, eu mantenho muito dentro de mim. muito do que eu não deveria manter. mas também guardo todos os sorrisos e cores - esses, principalmente, eu não sei jogar fora embora me destruam. e, apesar de tudo, sabe, eu não posso lembrar com ódio de nada. talvez com dor mas nada muito negativo. sempre foi tudo leve e doce demais, impossível lembrar de outra forma, impossível não sentir uma falta absurda que me arromba o peito. e embora eu saiba disso, embora isso acabe comigo, embora eu tente arduamente pensar em qualquer outra coisa que não seja você, eu tenho certeza que alguma parte de mim vai lembrar de tudo ainda que eu alcance os 100 anos. e vai lembrar com a ingenuidade doce de sempre. de quem ama e cala mas nem por isso deixa de amar. e eu me recuso a dizer os clichês mais clichês de "eu amo você" mas - só porque é natal e no natal a gente diz tudo - eu falo o que me resume: to me, you are perfect. (and always will be)
e, pensando no filme, eu lembrei de uma das cenas que eu mais amo. "just because it's christmas and at christmas you tell the truth". no natal a gente fala a verdade? eu sempre acreditei nisso. recebi (e fiz) revelações no dia 24/25 e nunca me arrependi. como eu já disse em outro post, a magia do natal engloba todo e qualquer tipo de coisa, torna as coisas mais... suaves. eu não sei mas tudo parece mais doce no natal. e hoje, em pleno dia 29, eu percebi que esse ano eu não fiz isso. esse ano eu traí meu ideal natalino.
sendo assim... eu deixo minha verdade: se um dia você passar por aqui - e eu sei que se você passar você VAI saber que eu me referi a você e ninguém mais - eu deixo a minha excepcional sinceridade. sim, eu mantenho ressentimentos, eu mantenho muito dentro de mim. muito do que eu não deveria manter. mas também guardo todos os sorrisos e cores - esses, principalmente, eu não sei jogar fora embora me destruam. e, apesar de tudo, sabe, eu não posso lembrar com ódio de nada. talvez com dor mas nada muito negativo. sempre foi tudo leve e doce demais, impossível lembrar de outra forma, impossível não sentir uma falta absurda que me arromba o peito. e embora eu saiba disso, embora isso acabe comigo, embora eu tente arduamente pensar em qualquer outra coisa que não seja você, eu tenho certeza que alguma parte de mim vai lembrar de tudo ainda que eu alcance os 100 anos. e vai lembrar com a ingenuidade doce de sempre. de quem ama e cala mas nem por isso deixa de amar. e eu me recuso a dizer os clichês mais clichês de "eu amo você" mas - só porque é natal e no natal a gente diz tudo - eu falo o que me resume: to me, you are perfect. (and always will be)
Wednesday, 24 December 2008
christmas is all around you.
então é natal. faz tempo que eu não posto aqui... mas, sabe deus porque, senti necessidade de vir sendo esse o dia que é. natal é uma data engraçada. eu não gosto de dia das mães ou dia dos pais e sou egoísta o suficiente pra - de todas as datas comemorativas - gostar apenas do meu aniversário. carnaval e seus sambas me irritam levemente, festa junina só serve pra comer salsichão e páscoa sempre me engorda consideravelmente (não que natal não o faça). mas natal... natal tem alguma magia inexplicável que me envolve durante TODO o ano. sim, o ano inteiro eu espero o natal! desde criança, desde sempre, inexplicavelmente. é só chegar perto a data que as vitrines começam a me encantar de forma absurda com todas as luzes, cores e bonecos de neve. montar a árvore é quase um ritual, o dia 24 em si é esperado com uma pressa surreal e tudo que envolva a decoração natalina me enche os olhos. sem que se tenha uma real explicação. meu natal sempre foi normal. nunca tive família grande, nunca esperei 0h pra ceia nem nunca tive os natais de filme que eu sempre sonhei. :)
mas sempre existiu alguma magia invisível que eu nunca soube explicar. dia 24 e dia 25 sempre foram povoados de acontecimentos inusitados que vinham, quase como milagres, me surpreender positivamente. parecia até coisa de filme. telefonemas, amores, sonhos. minha noite de natal sempre foi típica dos filmes de sessão da tarde. a magia natalina, os milagres, uma sensação inexplicavel que permanentemente sobrevoava os ambientes conforme dezembro chegava ao fim. era o começo pra mim.
então agora me encontro em mais um deles. talvez esse estivesse sob circunstâncias duvidosas. um jantar cancelado devido às minhas agradáveis cólicas menstruais. dormir a tarde inteira, acordar querendo vomitar. inusitado. chegar na sala e encontrar pessoas JÁ comendo. comer assistindo a reportagem sobre os pobres que viraram milionários. comer doce e passar mal de novo. receber o mar de presentes que eu, honestamente, duvido que realmente mereça mas que, como toda boa criança mimada, sempre recebi com um sorriso pretensioso no rosto. e livros e livros, adoro livros, meu celular querido com o qual eu quero me casar de tão lindo que ele é. minha câmera digital nova porque a minha estava pronta pra dar entrada no hospício, minha agenda maravilhosa que - depois dos cadernos - é meu vício maior, outro caderno de anotações, uma carteira pra substituir a minha pela qual eu sou apaixonada mas que rasgou. e por aí vai... e, no meio disso tudo, o livro: "cartas a um jovem escritor". não posso dizer que foi o presente preferido mas ficou no top five e isso é fato. agora que acabei de ler "o escaravelho do diabo" e estou no final de "os elefantes não esquecem", essa será minha próxima leitura. espero que me seja útil. :) afinal, quando a gente descobre que quer ser escritor, como faz, hein?
letras que me espere e seja o que deus quiser. papai noel vai me mandar boas vibrações que eu sei. o bom velhinho sempre vem e disso eu tenho certeza. 18 anos estampados nas minhas rugas precoces e eu encho a boca pra dizer que papai noel pra mim existe. e nunca vai deixar de existir. não pra quem acredita.
feliz natal pra vida ainda existente nesse blog - caso haja alguma. :*
mas sempre existiu alguma magia invisível que eu nunca soube explicar. dia 24 e dia 25 sempre foram povoados de acontecimentos inusitados que vinham, quase como milagres, me surpreender positivamente. parecia até coisa de filme. telefonemas, amores, sonhos. minha noite de natal sempre foi típica dos filmes de sessão da tarde. a magia natalina, os milagres, uma sensação inexplicavel que permanentemente sobrevoava os ambientes conforme dezembro chegava ao fim. era o começo pra mim.
então agora me encontro em mais um deles. talvez esse estivesse sob circunstâncias duvidosas. um jantar cancelado devido às minhas agradáveis cólicas menstruais. dormir a tarde inteira, acordar querendo vomitar. inusitado. chegar na sala e encontrar pessoas JÁ comendo. comer assistindo a reportagem sobre os pobres que viraram milionários. comer doce e passar mal de novo. receber o mar de presentes que eu, honestamente, duvido que realmente mereça mas que, como toda boa criança mimada, sempre recebi com um sorriso pretensioso no rosto. e livros e livros, adoro livros, meu celular querido com o qual eu quero me casar de tão lindo que ele é. minha câmera digital nova porque a minha estava pronta pra dar entrada no hospício, minha agenda maravilhosa que - depois dos cadernos - é meu vício maior, outro caderno de anotações, uma carteira pra substituir a minha pela qual eu sou apaixonada mas que rasgou. e por aí vai... e, no meio disso tudo, o livro: "cartas a um jovem escritor". não posso dizer que foi o presente preferido mas ficou no top five e isso é fato. agora que acabei de ler "o escaravelho do diabo" e estou no final de "os elefantes não esquecem", essa será minha próxima leitura. espero que me seja útil. :) afinal, quando a gente descobre que quer ser escritor, como faz, hein?
letras que me espere e seja o que deus quiser. papai noel vai me mandar boas vibrações que eu sei. o bom velhinho sempre vem e disso eu tenho certeza. 18 anos estampados nas minhas rugas precoces e eu encho a boca pra dizer que papai noel pra mim existe. e nunca vai deixar de existir. não pra quem acredita.
feliz natal pra vida ainda existente nesse blog - caso haja alguma. :*
Wednesday, 3 December 2008
entre-linhas.
"as palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam. e, se não tomo cuidado, será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito."
"eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida. viver é uma espécie de loucura que a morte faz."
- clarice lispector.
livros, livros, livros, palavras, letras, acentos, pontos, vírgulas. estranho ver como as coisas tomam forma sem que eu sequer tenha planejado. frases simplismente se formam, palavras se juntam, letras me comprometem eternamente pelo simples ato de existir. é uma coisa estranha escrever. não quero me deixar ser lida assim, é como ser um livro aberto. mas sei que engolir é impossível pois elas me desceriam queimando, rasgando, cortando cada limite meu. de fato, eu escrevo pra salvar a minha vida. e venho tendo sucesso nisso já que as vezes em que eu tinha certeza que não havia nada mais que me prendesse ao mundo eram sempre as palavras que iam me resgatar. e me resgataram diversas vezes, me tiraram do inferno. cada vez que a auto-destruição me sugava mais uma vez pro vácuo, a cada beira de abismo, a cada gota de sangue que caía dos meus pulsos e tentativa mal sucedida de dormir pra sempre, eram as letras que vinham me abraçar.
eu sempre lembro da menina no filme "geração prozac" dizendo uma das falas que mais me marcou: writting can't save me. a vida dela, a cabeça deturpada, o nó que ela vivia e no qual ela se afogava, as psicólogas falando, os remédios pra acalmar, auto-multilação, álcool pra esquecer, era tudo um perfeito retrato meu. e ela escrevia, escrevia compulsivamente, escrevia dias a fio ainda que às vezes as palavras tentassem fugir. e, quando nem letras restavam, aí era o fim da linha: writting can't save me. mas salvou, escrever salvou ela. ela: elizabeth wurtzel, escritora de "prozac nation" que deu origem ao filme. eu, que sou a própria lizzy de fato, não cheguei à minha cena final. e, embora escrever me salve, eu ainda me questiono até que ponto as palavras vão me acompanhar.
não acho que hoje em dia eu já possa ser considerada uma pessoa equilibrada mas, embora tudo seja caos, os meus pulsos só mostram cicatrizes. são feridas fechadas que já não dóem ou incomodam mas às vezes abrem, fazendo questão de provar sua existência. e me lembrando o quanto respirar sempre foi cansativo. o quanto a hipótese de parar meu coração sempre foi a mais tentadora de todas.
"eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida. viver é uma espécie de loucura que a morte faz."
- clarice lispector.
livros, livros, livros, palavras, letras, acentos, pontos, vírgulas. estranho ver como as coisas tomam forma sem que eu sequer tenha planejado. frases simplismente se formam, palavras se juntam, letras me comprometem eternamente pelo simples ato de existir. é uma coisa estranha escrever. não quero me deixar ser lida assim, é como ser um livro aberto. mas sei que engolir é impossível pois elas me desceriam queimando, rasgando, cortando cada limite meu. de fato, eu escrevo pra salvar a minha vida. e venho tendo sucesso nisso já que as vezes em que eu tinha certeza que não havia nada mais que me prendesse ao mundo eram sempre as palavras que iam me resgatar. e me resgataram diversas vezes, me tiraram do inferno. cada vez que a auto-destruição me sugava mais uma vez pro vácuo, a cada beira de abismo, a cada gota de sangue que caía dos meus pulsos e tentativa mal sucedida de dormir pra sempre, eram as letras que vinham me abraçar.
eu sempre lembro da menina no filme "geração prozac" dizendo uma das falas que mais me marcou: writting can't save me. a vida dela, a cabeça deturpada, o nó que ela vivia e no qual ela se afogava, as psicólogas falando, os remédios pra acalmar, auto-multilação, álcool pra esquecer, era tudo um perfeito retrato meu. e ela escrevia, escrevia compulsivamente, escrevia dias a fio ainda que às vezes as palavras tentassem fugir. e, quando nem letras restavam, aí era o fim da linha: writting can't save me. mas salvou, escrever salvou ela. ela: elizabeth wurtzel, escritora de "prozac nation" que deu origem ao filme. eu, que sou a própria lizzy de fato, não cheguei à minha cena final. e, embora escrever me salve, eu ainda me questiono até que ponto as palavras vão me acompanhar.
não acho que hoje em dia eu já possa ser considerada uma pessoa equilibrada mas, embora tudo seja caos, os meus pulsos só mostram cicatrizes. são feridas fechadas que já não dóem ou incomodam mas às vezes abrem, fazendo questão de provar sua existência. e me lembrando o quanto respirar sempre foi cansativo. o quanto a hipótese de parar meu coração sempre foi a mais tentadora de todas.
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