all i need
não me importa a temperatura, sempre faz muito frio. sempre um frio cortante que desce com as lágrimas geladas e pontiagudas. sempre o frio das minhas mãos, sempre o frio.
faz bastante tempo desde a última vez que eu pensei no seu abraço. e foi o último no qual eu pensei. o último que eu planejei durante todo tempo e, a cada dia que se passava parecendo que a espera ia romper, me trazia a sensação de que quando acontecesse ele seria único. seria uma colisão fatal, seriam cargas atraídas de forma extremamente forte, seria cola eterna pra não separar mais. e, ainda que eu pensasse, o abraço foi separado antes sequer de acontecer. mas depois dele não veio mais ninguém. depois dele nenhum outro braço me encostou, em nenhum outro pescoço eu respirei, em nenhum outro corpo me envolvi. eu que sempre fui a rainha dos abraços, dependente deles. eu que curava minhas dores com minha lista de abraços preferidos sempre capazes de me passar uma força inexplicável naquela ligação.
e agora faz frio, sempre frio. não foi culpa sua, não lembro sequer do seu abraço. só não sei em que ponto perdi a proteção que me cercava. não lembro onde as costas largas e o peito pra desabar se esconderam que dessa vez não voltam. não seria justo dizer que me encontro sozinha ao mesmo tempo que talvez fosse mentira negar tal fato. mas talvez seja isso, eu sempre estive sozinha, talvez seja esse meu fato (porque eu não falo em destino). um daqueles pássaros que são feitos assim e pronto, não há quem mude: voa sozinho do dia em que nasce ao dia em que morre.
e talvez (ou não) eu aceite assim.
e talvez (ou não) eu nunca tenha, de fato, tido braços ao redor.
e talvez - talvez - você que sente tanto frio quanto eu venha um dia me entregar teus braços. pra que a proteção se restaure e volte a existir aquele alívio em saber que tudo vai ficar bem - não se sabe como, onde, quando ou porque - mas vai, sempre vai. porque há braços. há braços e abraços.
faz bastante tempo desde a última vez que eu pensei no seu abraço. e foi o último no qual eu pensei. o último que eu planejei durante todo tempo e, a cada dia que se passava parecendo que a espera ia romper, me trazia a sensação de que quando acontecesse ele seria único. seria uma colisão fatal, seriam cargas atraídas de forma extremamente forte, seria cola eterna pra não separar mais. e, ainda que eu pensasse, o abraço foi separado antes sequer de acontecer. mas depois dele não veio mais ninguém. depois dele nenhum outro braço me encostou, em nenhum outro pescoço eu respirei, em nenhum outro corpo me envolvi. eu que sempre fui a rainha dos abraços, dependente deles. eu que curava minhas dores com minha lista de abraços preferidos sempre capazes de me passar uma força inexplicável naquela ligação.
e agora faz frio, sempre frio. não foi culpa sua, não lembro sequer do seu abraço. só não sei em que ponto perdi a proteção que me cercava. não lembro onde as costas largas e o peito pra desabar se esconderam que dessa vez não voltam. não seria justo dizer que me encontro sozinha ao mesmo tempo que talvez fosse mentira negar tal fato. mas talvez seja isso, eu sempre estive sozinha, talvez seja esse meu fato (porque eu não falo em destino). um daqueles pássaros que são feitos assim e pronto, não há quem mude: voa sozinho do dia em que nasce ao dia em que morre.
e talvez (ou não) eu aceite assim.
e talvez (ou não) eu nunca tenha, de fato, tido braços ao redor.
e talvez - talvez - você que sente tanto frio quanto eu venha um dia me entregar teus braços. pra que a proteção se restaure e volte a existir aquele alívio em saber que tudo vai ficar bem - não se sabe como, onde, quando ou porque - mas vai, sempre vai. porque há braços. há braços e abraços.


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