fabricação em série
por volta de 2005, aproximadamente, eu - seguindo a deusa que ocupava meu pedestal de ouro - abandonei meu meigo mundo cor-de-rosa e entrei em um que, teoricamente, se poderia ser mais livre. até então, minhas percepções eram deturpadas, meus sonhos bobos, minha realidade conveniente. era a loirinha que tinha mil amigas com quem trocar cartinhas vazias e dividir a esperança de encontrar o príncipe encantado. preconceituosa, limitada e ingênua como uma porta. e então encontro ela. ela que vivia em um mundo de auto-destruição, ela que passava os finais de semana se entupindo de álcool e nicotina, dava beijos triplos meio ao freak-show e participava de triângulos amorosos com homens e mulheres dos mais diferentes - e estranhos - tipos. ela que vestia preto, ela que era pálida, tinha um longo cabelo vermelho e parecia uma fada vinda de um lugar distante pra me salvar da mediocridade. ou - como eu descobriria adiante - vinda diretamente do inferno pra me levar ao submundo.
e, assim, passei desde então a nutrir um enorme desprezo por aqueles que ainda usavam o modelo que eu havia usado antes. pelas loiras, pelas cor-de-rosa, por aqueles cuja vida medíocre se resumia a festas, compras, praias e traições desfarçadas dentro do ninho de cobras. e, da mesma forma, passei a admirar aqueles outros que significavam o oposto de tudo. aqueles que eram diferente do padrão porque, por dentro, também não se encaixavam com nada ou ninguém. porque, por dentro, eram igualmente tortos, estranhos e singulares. exatamente como eu.
e eis que, precisos 3 anos depois, eu de repente percebo que, atualmente, todos esses tipos já me provocam náuseas. não me importa a roupa, não me importa o cabelo, já não me importa porque por dentro são todos igualmente medíocres e vazios. todos vivendo suas vidinhas em festas regadas a álcool e o que mais tiver, trocando e destrocando bocas e colecionando amigos no orkut. todos querendo aparecer um pouco mais, querendo ser um pouco mais e, usando diferentes tipos de artifício, se auto-afirmar. já não mostram por fora o reflexo de sua singularidade interior, muito pelo contrário, já obedecem ao padrão como mais uma ovelha de rebanho enquanto, por dentro, procuram alguma forma a mais de ganhar um holofote. incrivelmente vazios e entediantes dentro da contínua festa em que se colocam no cotidiano.
de fato, nem posso criticar - embora já o esteja fazendo - porque, devo admitir, fui um deles. em todos os possíveis casos. passando finais de semana a álcool sem lembrar com quem tinha ido pra casa, colecionando amigas tão loiras quanto eu pra dividir a banalidade e, obviamente, querendo ser um pouco mais. querendo ser um pouco como ela, a fada que sempre me pareceu tão única e que, na realidade, era só mais uma e eu é que não tinha visto. e eu é que não tinha visto que todos eles eram só mais uns - e são. pregando uma personalidade que já nem existe enquanto trocam sua identidade por um lugar ao sol.
e, assim, passei desde então a nutrir um enorme desprezo por aqueles que ainda usavam o modelo que eu havia usado antes. pelas loiras, pelas cor-de-rosa, por aqueles cuja vida medíocre se resumia a festas, compras, praias e traições desfarçadas dentro do ninho de cobras. e, da mesma forma, passei a admirar aqueles outros que significavam o oposto de tudo. aqueles que eram diferente do padrão porque, por dentro, também não se encaixavam com nada ou ninguém. porque, por dentro, eram igualmente tortos, estranhos e singulares. exatamente como eu.
e eis que, precisos 3 anos depois, eu de repente percebo que, atualmente, todos esses tipos já me provocam náuseas. não me importa a roupa, não me importa o cabelo, já não me importa porque por dentro são todos igualmente medíocres e vazios. todos vivendo suas vidinhas em festas regadas a álcool e o que mais tiver, trocando e destrocando bocas e colecionando amigos no orkut. todos querendo aparecer um pouco mais, querendo ser um pouco mais e, usando diferentes tipos de artifício, se auto-afirmar. já não mostram por fora o reflexo de sua singularidade interior, muito pelo contrário, já obedecem ao padrão como mais uma ovelha de rebanho enquanto, por dentro, procuram alguma forma a mais de ganhar um holofote. incrivelmente vazios e entediantes dentro da contínua festa em que se colocam no cotidiano.
de fato, nem posso criticar - embora já o esteja fazendo - porque, devo admitir, fui um deles. em todos os possíveis casos. passando finais de semana a álcool sem lembrar com quem tinha ido pra casa, colecionando amigas tão loiras quanto eu pra dividir a banalidade e, obviamente, querendo ser um pouco mais. querendo ser um pouco como ela, a fada que sempre me pareceu tão única e que, na realidade, era só mais uma e eu é que não tinha visto. e eu é que não tinha visto que todos eles eram só mais uns - e são. pregando uma personalidade que já nem existe enquanto trocam sua identidade por um lugar ao sol.


<< Home