Tuesday, 25 November 2008

os elefantes não esquecem

eu sempre falei do amor. eu sempre praguejei, eu sempre acusei, eu amaldiçoei aos sete ventos de todas as formas possíveis o que as pessoas chamam de amor. eu era a que dizia que ele não valia a pena, que a dor era forte demais, os sorrisos nunca compensariam. e não, não compensaram. eu tive o coração arrancado, pisoteado, quebrado em milhões de pedaços de mil formas imagináveis. pedaços que eu não recuperei, que se soltaram pelo caminho e eu nunca tive de volta. meu coração é colado, remendado, alejado e incompleto. e eu não cheguei sequer aos 19.

mas, sabe, eu não sei amar. eu nunca soube amar. eu fiz das pessoas o centro da minha vida, eu fiz da vida delas a minha e nada mais valia a pena quando a ausência delas se fazia presente pra mim. o ciúmes era sempre enlouquecedor demais, era corrosivo, a dependência era asfixiadora. sempre com muita intensidade, sempre feito um vulcão, um tsunami, nada mais existia porque tudo era varrido de mim. o foco era aquilo e só, o foco era você. você e nada mais porque pra mim só existia você. rotina, atividades, compromissos e planos eram NADA porque existia um você pra me consumir 100%. você, você, você, 24 horas por dia, você. e quando não fosse você, seria um outro você. mudaria cabelo, endereço, nome e telefone, mas a minha forma de amar continuaria exatamente a mesma merda.

e aí a gente pensa: "então porque NÃO mudar?" porque quando acontece você não sente. você tá no meio do furacão, você não enxerga. parece besteira quando tudo acontece, ainda que os outros te digam, parecem palavras vazias tentando te tirar do mundo cor-de-rosa. nada parece ter a importância que aquela determinada voz tem, nada no mundo parece ser relevante diante daquele determinado sorriso. sorriso de miragem que se desfaz segundos depois. e, quando se desfaz, você olha ao redor e TUDO que estava ali antes parece ser insignificante demais. é como colocar um elefante dentro de uma sala minúscula e depois de um tempo retirar. depois dele, ela sempre vai parecer vazia.



Observação: o título parece estranhamente surreal pro post mas, acredite, existe algum sentido subentendido. ou assim eu espero. e é uma frase que eu gosto muito e que, por sinal, é o nome de um livro da agatha christie. e, bem, quando se trata de não esquecer... eu sou o próprio elefante (em todos os sentidos).