válvulas de escape
eis que chego a conclusão que escrever é um ato de salvação. nada pode salvar mais do que o ato de escrever. de diferentes formas, em diferentes níveis, com diferentes focos, mas é a escrita que salva... antes, eu escrevia quase que por uma necessidade interior básica. era um ato quase involuntário, era vômito literário, era um grito resumido em palavras. porque era exigir demais de mim ser quem eu era sem que eu tivesse ao menos uma válvula de escape. então era ela, era a escrita, era a válvula de escape por onde meus dramas fugiam pra que eu conseguisse esvaziar a cabeça e respirar por algum tempo. e era eu, a todo o tempo o foco era eu, sempre eu. mesmo quando visto de outros ângulos, era sempre eu. porque tendo um furacão por dentro, seria difícil demais sequer olhar pra outro alguém, que dirá escrever sobre ele.
e, hoje, vejo que a salvação tem diferentes aspectos ainda mais profundos do que se pode imaginar. hoje não aguento escrever sobre mim porque não suporto mais lidar com o furacão. 18 anos se passaram e, a cada dia, ele me dá mais dores de cabeça e olheiras sob os olhos. então, ao invés de discutir com meus intensos montros, resolvi fugir deles. fugir deles é mais prático, mais covarde, sem dúvida. mas me leva a uma forma de escrita que antes não me passava pela cabeça e hoje toma meus dias por completo: fantasia. fantasiar é preciso. :)
e aí chega a ser mais engraçado ainda porque passar muito tempo sem escrever é quase como pausar uma vida, deixá-la esperando por você, atrasar a ordem dos acontecimentos. ficar muito tempo sem escrever é como matar lentamente os personagens que não passam de míseras crianças dependentes. dependendo da sua bom vontade, imaginação, bom humor, mãos e criatividade para existirem, tomarem forma e rumos pela história. e você - que não controla nem a própria vida - passa a ser deus na vida de maquete onde você inventa e desinventa como bem entender. vivendo histórias que não são suas, se apegando a pessoas que não são reais. é como brincar de casinha escrever. mexer as bonecas e arrumar os cenários, formando casais e personalidades. e, junto, salvar. salvar a história que sem você não anda, salvar os personagens que sem você não vivem, salvar a rotina do tédio com imaginações férteis.
pra, depois de um tempo, se perguntar quem salva você enquanto você salva os outros. se perguntar, afinal, a vida de quem realmente continua pausada esperando a paciência do escritor.
e, hoje, vejo que a salvação tem diferentes aspectos ainda mais profundos do que se pode imaginar. hoje não aguento escrever sobre mim porque não suporto mais lidar com o furacão. 18 anos se passaram e, a cada dia, ele me dá mais dores de cabeça e olheiras sob os olhos. então, ao invés de discutir com meus intensos montros, resolvi fugir deles. fugir deles é mais prático, mais covarde, sem dúvida. mas me leva a uma forma de escrita que antes não me passava pela cabeça e hoje toma meus dias por completo: fantasia. fantasiar é preciso. :)
e aí chega a ser mais engraçado ainda porque passar muito tempo sem escrever é quase como pausar uma vida, deixá-la esperando por você, atrasar a ordem dos acontecimentos. ficar muito tempo sem escrever é como matar lentamente os personagens que não passam de míseras crianças dependentes. dependendo da sua bom vontade, imaginação, bom humor, mãos e criatividade para existirem, tomarem forma e rumos pela história. e você - que não controla nem a própria vida - passa a ser deus na vida de maquete onde você inventa e desinventa como bem entender. vivendo histórias que não são suas, se apegando a pessoas que não são reais. é como brincar de casinha escrever. mexer as bonecas e arrumar os cenários, formando casais e personalidades. e, junto, salvar. salvar a história que sem você não anda, salvar os personagens que sem você não vivem, salvar a rotina do tédio com imaginações férteis.
pra, depois de um tempo, se perguntar quem salva você enquanto você salva os outros. se perguntar, afinal, a vida de quem realmente continua pausada esperando a paciência do escritor.


<< Home